Os Inimigos do Bem-Estar no Fim de Ano
- Matheus Conceição

- 22 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Como o fim de ano pode sabotar a sua saúde — e por que isso merece atenção
O fim de ano é marcado por encontros, celebrações e mesas fartas. É confraternização hoje, amigo oculto amanhã, almoço de família depois. Tudo junto, tudo intenso, tudo socialmente aceito.
Mas, por trás desse clima de festa, existe um cenário que merece atenção: o bem-estar no fim de ano costuma ser impactado por excessos que parecem inofensivos, mas cobram seu preço ao longo dos dias. Não é coincidência que o período entre o Natal e o Ano-Novo esteja associado a um aumento de problemas de saúde, inclusive cardiovasculares. O corpo sente aquilo que a agenda social costuma ignorar. E não é por causa de uma ceia ou de um único exagero. É pelo acúmulo.

O excesso alimentar que vira rotina no fim de ano
Comer bem faz parte da vida. Comer junto, então, nem se fala. O problema não é a ceia, não é o churrasco, não é a sobremesa da vó. O problema começa quando todo encontro vira exceção.
No fim de ano, os eventos se sobrepõem. Com eles, chegam porções maiores, mais açúcar, mais gordura e mais sal. O corpo tenta acompanhar, mas começa a dar sinais claros: estufamento, cansaço, fome fora de hora no dia seguinte. Quando esse padrão se repete por vários dias, o organismo entra em sobrecarga. A glicemia oscila, processos inflamatórios aumentam e o controle do apetite diminui.
Não é falta de disciplina. É fisiologia.O corpo responde à verdade. E a verdade é simples: excesso repetido deixa de ser festa e vira padrão.
A bebida alcoólica e os impactos no bem-estar no fim de ano
O brinde começa cedo. O copo se repete. E a percepção vai embora. Durante as festas de fim de ano, muitas pessoas exageram no consumo de álcool sem perceber.
O impacto não aparece apenas na ressaca. Ele surge no sono de má qualidade, no coração acelerado, na fome desregulada e na queda de disposição. O álcool interfere no sistema nervoso, desidrata, aumenta a frequência cardíaca e pode provocar alterações no ritmo do coração.
Existe, inclusive, um quadro descrito na medicina associado a esse período: arritmias desencadeadas pelo consumo excessivo de álcool em épocas festivas. Não se trata de proibição, mas de atenção. Quando o consumo vira diário e o corpo acorda cansado e inquieto, o sinal já foi dado.
O sono bagunçado e a saúde no fim de ano
“Hoje pode dormir tarde, amanhã é feriado.”“Depois eu ajusto.”
O problema é que o sono não negocia. Dormir mal afeta o controle do apetite, aumenta o estresse, prejudica a recuperação do corpo e eleva a pressão arterial. É durante o sono que o organismo se reorganiza.
No fim de ano, o corpo tenta acompanhar uma rotina que muda todos os dias. E perde. Cuidar da saúde começa no básico. E dormir bem é um dos pilares mais importantes do bem-estar.
A saída da rotina saudável no fim de ano
Aqui mora um dos maiores riscos para o bem-estar no fim de ano. Não é flexibilizar a rotina. É abandoná-la completamente.
Parar de se movimentar, parar de prestar atenção no que come, parar de cuidar do corpo, como se ele pudesse entrar em “modo pausa” até janeiro. Ele não entra.
O corpo não entende calendário. Ele entende repetição. E quando alimentação desregulada, álcool, pouco sono e estresse acontecem ao mesmo tempo, o impacto é maior do que parece.
Quando o coração sente os excessos do fim de ano
Estudos mostram que o período de festas concentra um aumento de eventos cardiovasculares, como infartos e arritmias. E isso não acontece por um único fator. É a soma de excesso alimentar, consumo de álcool, privação de sono, estresse emocional e falta de rotina.
Essa combinação sobrecarrega o sistema cardiovascular, inclusive em pessoas que não sabem que já têm fatores de risco. Muitas descobrem tarde demais. Não é para gerar medo. É para gerar consciência.Cuidar do bem-estar também é entender que o corpo tem limites.
A armadilha do “ano que vem eu começo”
“Agora já foi.”“Em janeiro eu resolvo.”
Essa ideia de deixar o cuidado para depois é comum no fim de ano. O problema não é planejar mudanças. É usar o calendário como desculpa para se abandonar no presente.
Não é preciso exagerar tudo hoje para prometer equilíbrio amanhã. O cuidado não precisa parar para depois voltar. Ele pode continuar — mesmo diferente, mesmo imperfeito.
O que realmente faz diferença para o bem-estar no fim de ano
Nada radical. Nada extremo. O que faz diferença é não transformar exceção em regra. É manter algum cuidado mesmo nos dias cheios. É escolher melhor quando dá. É ouvir o corpo quando ele avisa.
Bem-estar não é perfeição. É constância possível. É cuidar do que é mais precioso: a sua saúde.
Matheus ConceiçãoUma conversa honesta sobre corpo, saúde e vida real. Fontes consultadas
Ministério da Saúde • Organização Mundial da Saúde (OMS) • American Heart Association • IBGE • G1 Espírito Santo • Folha Vitória





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